Arquivo mensal dezembro 2017

porzulemayramos

A importância do pai na vida dos filhos

Estamos em pleno século XXI, cada vez mais podemos observar mulheres à frente das famílias, dos negócios. Verdadeiras lideres tanto no quesito financeiro, quanto no emocional e físico. Somos literalmente poderosas, e por mais que tenhamos nos esforçado historicamente para mostrarmos à sociedade quem somos e que somos capazes de assumirmos todos os papeis e criarmos nossos filhos sozinhas. Me perdoem as radicais, mas precisamos reconhecer que o pai tem um papel fundamental na criação de nossos filhos.

Já escutei, por várias, vezes mulheres dizendo que a presença de um pai não é assim tão importante. Entendo o ponto de vista. As mulheres são tão fortes, tão batalhadoras, tão ultra em tantas áreas, que realmente compreendo essa forma de pensar. Quantas mulheres estão tendo que levar uma família inteira nos ombros e fazem isso com maestria? Admiro. De verdade. Merecem uma verdadeira salva de palmas. Fazem isso com tanta garra, que seus filhos simplesmente podem chegar a dizer que o pai foi uma figura inexpressiva em suas vidas e que não sentem sua falta. Isso pode ser verdade. O pai realmente foi uma nulidade, logo não existe motivo para sentir sua falta e, para alguns, isso pode levar ao adágio de que, ser um pai não fez diferença, então é possível que a presença de qualquer um possa ser posta na berlinda. Há quem diga: terei meus filhos sozinha. Não tive pai, ele não fez falta e sei que dou conta.

É sabido, que o fato de alguns homens, tristemente, abdicarem da alegria de educar seus filhos e de fazer parte da vida e do crescimento deles não anula o que suas presenças poderiam ter feito ou o que elas poderiam ter contribuído para o desenvolvimento das crianças, futuros adultos. O homem, ao se tornar pai, carrega em si a chance de ser um mundo para outro ser. Carrega autoridade, força, segurança, coragem. Sua presença na vida desse novo ser pode fazer toda a diferença e, para muitos, isso depende da escolha de efetivamente querer desempenhar esse papel e realmente crescer como ser humano.

Segundo um artigo de 2010, da Associação Americana de Psicologia, que li meio que sem querer, as memórias de uma relação calorosa com o pai durante a infância estão diretamente relacionadas com a capacidade para enfrentar o estresse do dia a dia. O pai desempenha um papel fundamental na saúde mental dos seus filhos, e isso é visível na idade adulta. Os homens que relataram ter mantido uma boa relação com o pai durante a infância tendem a ser menos impulsivos na forma como reagem aos eventos estressantes do dia a dia do que aqueles que relataram relações mais pobres.

É incrível como esse estudo pode ser um exemplo de que a influência positiva ou negativa do pai nem sempre é tão óbvia. É claro que nem todos os impulsivos assim o são por causa de seu relacionamento com o pai. Mas é uma possibilidade. O pai pode fazer maravilhas e também pode fazer grandes estragos. Tanto com sua presença quanto com sua ausência. Mas isso, com toda certeza, também acontece com a figura materna. Dependerá da maneira como cada um entender e se dedicar ao seu papel.

O fato é que, não é fácil ser pai ou ser mãe, a responsabilidade é muito grande e nem todos estão preparados para assumi-la como deveriam. O ideal? O ideal, a meu ver, é um pai consciente de suas possibilidades, de suas limitações, mas que não se esquiva de sua responsabilidade quando acha que pode não dar conta. Enfrenta o “tranco”. Mostra coragem, vai à luta contra suas más inclinações, contra seus defeitos. Escorrega de vez em quando e não tem vergonha de, nessa hora, estender a mão na direção da mulher e pedir-lhe ajuda. Age dessa maneira até sem saber que, assim, mostra uma grandeza imensa diante dos filhos que o observam. Esses pais, que existem sim, também merecem aplausos. Pois, vão contra o que se prega na sociedade. São ativos, são dotados de uma humanidade linda e, ao meu ver, são muito, mas muito mais homens. Eles fazem a diferença para os filhos, para a sociedade, para mundo!

porzulemayramos

Profissão "Professor" X Educação

Em pleno século XXI e ainda se tem a impressão que o professor e o quadro são partes integrantes de uma Educação eficiente. Estava eu ali, “professora”, que como muitas culpavam os alunos pelos seus fracassos, até o dia em que li em um livro, um pensamento que chamou minha atenção, “Quando todos estão pensando igual. Ninguém está pensando direito”. Entrei em sala de aula, estavam todos os alunos daquela turma enfileirados, em silêncio esperando por um visto em uma atividade básica que lhes pedia que classificassem as funções sintáticas das palavras nas orações exatamente como eu os havia ensinado. Todos começariam pelo sujeito até nomear a última palavra, levando em consideração os conceitos estudados. Todos enfileirados e uma atividade que não lhes permitia pensar, nem tão pouco ousar.

Um aluno levantou a mão e me perguntou se tinha algum problema ele ter encontrado primeiro a classificação do adjunto adnominal e não o sujeito como eu havia determinado. Aquele jovem me olhou aflito e perguntou se iria perder pontos. Naquele momento numa ação introspectiva eu me perguntei “Por que meus alunos precisam somente aprender conceitos já pré-estabelecidos? seguida de outras bem como “Que valores quero transmitir? Quanto eu preciso crescer enquanto professora? Por que tenho que considerar errada a resposta do meu aluno, que utilizou caminho diferente do que eu o ensinei, para chegar a resposta correta?

Foi nesse momento, exatamente nesse momento que os valores se desconstruíram. Enfileirar meus alunos em sala de aula e mantê-los em total silêncio, não era mais meu objetivo. Me desculpem aqueles que acreditam que o total silêncio de uma turma por imposição os faz excelentes professores. Rompi barreiras com esses conceitos, parei de falar que aqueles alunos que não aprendiam, não seriam destaques profissionais, passei a acreditar mais no ser humano. Eu precisava ouvi-los, conhece-los para saber o que eles precisavam para alcançarem seus objetivos, mas para isso acontecer, precisava antes de tudo me capacitar para lidar com gente.

Ser professor é saber acima de todos os conteúdos estudados ser gente que sabe lidar com gente. Então, olhei para minha turma de 7º ano de uma escola particular, e disse para eles que iria dividir a turma em grupos e cada grupo, juntos, iriam tentar encontrar uma maneira prática de ensinar para os colegas análise morfossintática. Pedi que eles levantassem, interagissem uns com os outros, escolhessem entre eles a metodologia, a forma como isso iria acontecer. Duas semanas depois a culminância dessa loucura foi surpreendente. Tivemos dramatizações, jogos com cartolina criados por eles – aquela ainda não era época da tecnologia – desafios e até uma banda com os alunos considerados por mim, no início do ano, como os mais desinteressados. Esses compuseram a letra da música, fizeram o arranjo e apresentaram um rock, que eles intitularam “Rock da análise sintática”.

Desse dia nunca mais vou esquecer, e tão pouco eles que de uma forma desconstruída aprenderam o que muitas vezes, nós professores passamos anos tentando ensinar. Claro que eu ainda, naquela época não tinha noção o quanto essa desconstrução faria diferença nas nossas vidas. Hoje chamamos isso de Ensino Hibrido, eu classifico como minha salvação enquanto professora. Proporcionar ao aluno aprendizado com liberdade, para ele buscar e independência para construir seu próprio conhecimento facilitando a troca de experiência entre o grupo e o professor, aproxima a turma, humaniza o professor e dá oportunidade de serem esclarecidas as dúvidas existentes sobre os conteúdos estudados.

A Profissão “Professor” é a mais antiga e a mais bela que a humanidade já teve oportunidade de conhecer. Algumas pessoas têm o dom do ensino, por isso é tão importante que aquelas que sentem na alma a vontade de ensinar e por meio do ensino transformar a sociedade, aprendam que a desconstrução faz parte do processo, há momentos que precisamos derrubar o que já está edificado para construir algo melhor e mais forte. Acredito na Profissão “Professor”, acredito que estamos em constante aprendizado e que não temos que ter medo de aprendermos com nossos alunos e ajudá-los a descobrirem até mais do que nós sabemos, acredito numa escola diferente que construa “gente” para lidar com “gente”, por isso sou PROFESSORA.

porzulemayramos

O desafio de viver

Desde que nascemos ouvimos que a vida é um grande desafio. Que precisamos nos preparar, aprender a fazer escolhas, sermos seguros de nossas ações, competentes naquilo que nos comprometemos a fazer, é certo, mas nem por isso nossas ações precisam ser experiênciadas como um pesado fardo.

Não podemos enxergar a vida como uma constante sucessão de obstáculos, os desafios são oportunidades de crescimento e de evolução. A existência precisa ser vista como uma caminhada onde o prazer também se faz presente.

Se cada vez que diante de nós as circunstâncias se mostram totalmente adversas aquilo que queremos – ou seja, que contrariam nossas expectativas e nos desequilibram emocionalmente -, nos deixarmos dominar pelo desânimo, a amargura ou a falta de fé, certamente estamos desacreditando no real motivo de nossa existência. Estamos desacreditando em nossa capacidade de reconstrução. Estamos nos entregando ao fim, sem ao menos termos chegado a esse.

Ao invés disso, por que não entendermos que esse é o momento de observar cada situação, sem compara-las com outras já vividas, pois fazer comparações podem nos levar a cultivar a crença direcionada pela mente, que não existe possibilidade de construir uma vida diferente daquela que está diante de nós.

Essa é, aliás, a principal causa de infelicidade e insegurança que domina a maior parte dos seres humanos. Ao invés de confiarem em um Deus infinitamente justo e bondoso e entenderem a capacidade intrínseca, que cada um de nós possuímos, de criar novas possibilidades, muitas das vezes nos mantemos agarrados ao conhecido, como se ele fosse um destino inexorável, do qual não podemos nos libertar.

Precisamos vez ou outra nos lançarmos ao desconhecido para compreendermos, de fato, o dom de criar o novo e aprendermos a desaprender. Quanto maior minha necessidade de aprender a conviver até comigo mesma, maior será a chance de transformarmos o mundo em que estamos inseridos, em um mundo melhor, mais digno até mesmo para aqueles que virão.

Assim como você já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e as vezes até mesmo esquecer pessoas inesquecíveis. Já agi por impulso, já me decepcionei e já fiz decepcionar. Já sorri quando não podia, assim como já gritei e pulei de tanta felicidade. Já tive medo…mas vivi e ainda vivo, porque não devemos passar pela vida. Devemos viver, mesmo em meio a desafios, porque o mundo pertence a quem se atreve a acreditar que a vida é muito para ser insignificante.

Pular para a barra de ferramentas